think about it.


Ótimo discurso. Excelente site:
http://www.ted.com/talks/lang/por_pt/ken_robinson_says_schools_kill_creativity.html
 
O verbo estudar encontra-se marginalizado nas latrinas em frente aos bares que cercam as universidades. Enquanto algumas mentes criativas encontram-se marginalizadas por seguir seus próprios interesses buscando informações e conhecimento por sua própria conta. Pode-se adquirir e produzir conhecimento fora de um ambiente acadêmico, como também é possível graduar-se sem ao menos lembrar de um terço das matérias cursadas no período letivo. Qualquer decisão torna-se mais fácil ao passo em que se adquire mais auto-conhecimento, e apenas isto.
Poema de amor, tá afim?

Enfim,
o que mais queres de mim?
Dou flores porque me disseram que é assim
que se mostra carinho e que, ao amor, se diz sim.
Mas fosse só por mim, meu querubin,
veríamos do mundo, todos os jardins;
viveríamos primaveras juntos, sem ter fim;
e seríamos, um para o outro, um jasmin.
Sim?

Fim.

Ficou ruim?
Nota:

Ao longo dos últimos anos tenho abordado os mais diversos temas acerca da condição humana. Tenho tirado várias das minhas dúvidas escrevendo, tenho respondido a várias perguntas e formado valores e, talvez, até elucidado meu caráter por intermédio da escrita, o que é, de fato, uma bela de uma coisa para se dizer às pessoas.

Tenho percebido que minha gana pela escrita vem se esvaindo ao passo do tempo, mas apenas a gana - a ânsia de escrever tudo que se passa em minha cabeça - meu entusiasmo e gratidão em relação às palavras postas lado à lado irão comigo para a cova, certamente.

Tenho tido pouco sobre o que falar. Muito disso se deve, talvez, pela monotonia dos dias, e benzadeus as minorias que tem a destreza e o dinheiro para atravessar a vida sem sentir a monotonia de uma tarde de Quarta-Feira. Mas julgo que muito, também, se deve ao fato de os valores, brotados de longos raciocínios e questionamentos nos momentos mais niilistas que eu poderia conhecer, terem formado um caráter com fortes raízes dentro de mim mesmo; caráter, este, baseado não em idéias impostas, mas em idéias aceitas. E aí está uma grande coisa.

Aprendi que a maior vantagem que você pode ter em relação à hostilidade da vida em sociedade é a coragem de sorrir para as pessoas que te olham de um jeito estranho, ou criticam suas atitudes quando elas divergem do comum, ou do socialmente aceitável, ou do jeito que as pessoas fazem na novela; sorrir e - enquanto pensa: "Foda-se você, seu pequeno aspirante à adubo!" - dizer "Bom dia, pessoa!"

Venho descobrindo e aceitando limites, assim como venho descobrindo e aceitando virtudes e, novamente, valores. A única coisa que pode nos manter em equilíbrio, enquanto andamos selva à dentro, é saber que o que carregamos conosco é, de fato, nosso.

Sobrevivi muito bem à estes vinte e dois anos. Julgo ser capaz de lidar com os próximos.

Estou bem.
Rascunho do rascunho

Mais uma compilação de textos não postados, inacabados, esquecidos, abatumados, embolorados e um tanto quanto perturbadores. Quando eu leio textos assim, que eu nem lembrava ter escrito, é que eu vejo o quanto minha cabeça é perturbada. Tenso. Mas beleza. (:

"Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento. Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem." (Bertold Brecht)

"Se você quer fazer uma torta de maçã desde o começo, tem que primeiro cirar o universo." (Carl Sagan)

"Não te preocupes demasiado com o dia de amanhã. Ele despontará com as suas próprias dificuldades. A cada dia basta o seu fardo." (Leiria Rui Santos)
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Preocupe-se apenas em levar o seu próprio fardo, e aprenda que jamais saberá nada sobre o fardo alheio; pois por mais que se tente medir as suas dimensões, nunca se passará de mera suposição barata.
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Sábado. Um belo dia lá fora. Aqui, ouço apenas os suaves ruídos disso que chamamos silêncio, que nunca é o silêncio pleno. Minha cabeça é uma balbúrdia só. Exausta de buscar no que pensar. Inquieta. Atarefada com o tédio. Seria uma bela hora para fumar um cigarro, ouvir os sons da rua, e não ser perturbado pelo ócio, pela gula, pelo relógio, pelo telefone e por esse silêncio incômodo.
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Saudades dos tempos em que meu espírito encontrava-se alegre; e acessível. Tinha lapsos de genialidade e mostrava-se pleno, e forte como rocha, ao mesmo tempo em que era leve e livre. Sinto-me como zumbi. Como máquina. Sem o toque da luz.
África, a terra dos fortes.


Infelizmente ainda vivemos em uma época de segregação racial e de nacionalismo. Partindo deste ponto gostaria de falar dos negros e da África, que embora não seja um país sempre é tratada como tal. Minto. A África é desprezada.

O continente africano, e com ele os negros, começaram à ser colonizados (leia-se estuprados) no Século XV pelos mesmos europeus, brancos, que depois também colonizaram à nós, latino-americanos. O povo africano cedeu, ao progresso econômico do mundo, força braçal graças à escravidão - onde encontra-se todo o tipo de desumanização da figura humana possível - cedeu suas riquezas naturais, cedeu vidas, muitas vidas. O continente africano, e os negros, foram molestados por muitos séculos pelos europeus, brancos. Isto infelizmente já não causa mais pavor quando lido, já sabemos disso, já aceitamos isso. Alguns de nós podem dizer "já superamos isso".

Eu sei que talvez eu esteja escrevendo meio sem foco, mas eu queria simplesmente mostrar, novamente, meu descontentamento com a  raça da qual sou um exemplar, pois um povo que cedeu tanto pelo resto do mundo, ainda mais na base do cabresto, não pode ser humilhado, desprezado e esquecido como é. A Africa está abandonada, seu povo morre as pencas por não ter o que comer. Estamos no século XXI e as pessoas morrem de fome como se ninguém pudesse salvá-las, como se nada pudesse ser feito, como se não soubessemos o que fazer, como se não tivessemos condição de fazer. Mandamos o homem para a Lua, mas não conseguimos dar de comer a quem tem fome. Não sei mais o que falar, há imagens que falam por mim.

Enquanto houver um ser humano passando fome em qualquer lugar do mundo, não se pode falar em dignidade, cidadania, humanismo, fraternidade, igualdade, progresso, justiça, mérito, honra e amor. Qualquer coisa que se diga para justificar a fome demonstra covardia, egoísmo e crueldade, que, infelizmente, são qualidades fundamentais da personalidade do ser humano pós-moderno, e características crucias para o bom funcionamento do regime monetário. Vivamos, pois, dentro do nosso mundinho perfeito de 70m², e deitemos nossas cabeças redondas e maquiadas, em nossos travesseiros com tecnologia da NASA, com uma leve indigestão por ter comido demais no jantar, e durmamos com a doce ilusão de que está tudo bem.

Se você não puder fazer nada por uma das milhares de crianças africanas que morreão de fome amanhã, assim como eu não farei, devido ao fato de possuir ao menos duas das características odiosas citadas acima, ao menos valorize a infinidade de recursos materiais dos quais você dispõe facilmente à sua volta, e deixe sua alma florescer e, de fato, ser alma. Não gaste seu esplendor e sua energia preocupado em acumular coisas em suas gavetas.

Realmente gostaria de ter escrito algo muito mais bonito e bem feito do que isto quando decidisse falar da Africa. Mesmo assim, continua sincero.

Tenham todos um ótimo jantar.
Quem dera eu pudesse explicar, para que fosse, então, compreendido.
Morte desnecessária

Hoje, um amigo me contou uma fatalidade; algo realmente trágico e triste. Um rapaz de vinte e poucos anos, que se formaria em medicina daqui à poucos meses morreu em um acidente de carro. As duas últimas coisas que ele fez foram tirar as fotos para sua formatura, e ir visitar o pai, no dia dos pais. Na volta, para fazer seu plantão no pronto socorro, bateu o carro em um caminhão, e faleceu. Este meu grande amigo, terminou dizendo: morte desnecessária.

Isto me fez pensar.

Estamos todos cientes da iminência da morte. Estamos todos datados, mas nenhum de nós sabe a data; mas sempre agimos como se a data estívesse longe, como se o fim estivesse na velhice, como se fôssemos jovens, sempre jovens, sempre imunes. Os descuidos, as más decisões, as atitudes inconsequentes são sempre respaldadas por um pensamento irracional, como se fôssemos de fato imunes às consequências. As consequências podem ser adiadas, mas dificilmente eliminadas.

Mesmo certos da morte, certos do perígo, agimos, muitas e muitas vezes como completos irracionais, completos imbecis. Quem nunca dirigiu de cara cheia? Quem nunca se achou mais valentão por estar sem o cinto? Não sei se era o caso do jovem que citei. Mas não interessa. Quem nunca colocou a própria vida, e a de terceiros, em risco por pura e completa irracionalidade? Eu já fiz isso! Diversas vezes. Muito provavelmente farei várias besteiras de novo. Não estou aqui pra botar o dedo na cara da sociedade. Estou aqui pra dizer que você não sabe se verá o mundo amanhã. Ninguém sabe.

A morte não bate na porta, ela simplesmente entra. Em todas as casas. A qualquer hora. Por isso, meu caro, não espere demais para tomar decisões importantes. Você quer ser médico? Você quer ser músico? Você quer pagar suas contas? Você quer largar o cigarro? Você precisa de um chuveiro mais quente? A pia entupiu? Acabou a margarina? FAÇA ALGUMA COISA! Mexa-se. Você não é tão jovem quanto pensa. Sua vida não é tão longa, afinal. Tome decisões. Siga adiante.

Se você quer fazer alguma coisa, a hora é essa. Se você tem algo à melhorar, faça por onde. Se você tem algum plano pendente, você sabe o que fazer. Não tenha medo de tomar decisões importantes agora; agora é a hora. Diga as pessoas que você às ama. A morte não precisa ser necessária para te calar; para sempre.
O que me atrai na música é o movimento que ela gera no ser. Em todos os cantos, em todos os povos, de todas as épocas, é possível encontrar, seja nas matinês com velhos ao som do acordeon, seja no agreste os sertanejos perseguindo o som da viola, os negros na selva ensandecidos com os tambores, os jovens, nos pubs, enérgicos como as guitarras. Me encanta o movimento que o ritmo incita no corpo, e a forma com que a melodia preenche os corações. A música arrepia a espinha do homem; também seus cabelos e sua alma.
Citações

Enquanto minha mente encontra-se em um período de abertura ao aprendizado e absorção de experiências alheias por via da leitura, e, também, um tanto quanto desinteressada em expelir, em criar, o que não deve, em todo caso, me causar alarme, afinal é assim que as coisas são, gostaria de compartilhar este magnífico trecho, que segue abaixo, do livro Cidadela de Antoine de Saint-Exupéry, que trata sobre a cura dessa doença - chamada desorientação - por intermédio do desapego material:

"Embora a experiência me tenha ensinado que se descobrem homens felizes em maior proporção nos desertos, nos mosteiros e no sacrifício do que entre os sedentários dos oásis férteis ou das ilhas ditas afortunadas, nem por isso cometi a asneira de concluir que a qualidade do alimento se opusesse à natureza da felicidade. Acontece simplesmente que, onde os bens são em maior número, oferecem-se aos homens mais possibilidades de se enganarem quanto à natureza das suas alegrias: elas, efectivamente, parecem provir das coisas, quando eles as recebem do sentido que essas coisas assumem em tal império ou em tal morada ou em tal propriedade. Para já, pode acontecer que eles, na abastança, se enganem com maior facilidade e façam circular mais vezes riquezas vãs. Como os homens do deserto ou do mosteiro não possuem nada, sabem muito bem donde lhes vêm as alegrias e é-lhes assim mais fácil salvarem a própria fonte do seu fervor."

E por fim, mas não menos revigorante, outra pequena citação:

"Não me atrai ser banqueiro, ter dinheiro. Há pessoas diferentes. Atrai-me o outro lado da vida, o outro lado do mar, alguma coisa perfeita, um dia que tenha uma manhã com muito orvalho, restos de geada… De resto, não tenho grandes projectos." (Tavares, A. R. P. 1989)

Boa noite.
Sobre o som sob o palco.

À noite, ouço, de tímpanos sóbrios,
o vazio, travestido de intensidade.
Por meio de acordes, de recheio oco,
a cópia argumenta legitimidade.